VICE

Esta semana tive o desprazer de assistir VICE (Plan B) de Adam McKay. Digo isso, porque quando saímos de casa, depois de um dia intenso de trabalho em busca de um pouco de entretenimento, não esperamos ser bombardeados pelo proselitismo político partidário de um militante disfarçado de diretor de cinema.

Em “A Grande Aposta” (2015) Adam McKay até fez um bom trabalho explorando a explosão da bolha imobiliária americana de 2008. Mas, agora em Vice, McKay como diretor e roteirista não conseguiu encobrir sua parcialidade e seu desprezo pelo personagem que elegeu como seu protagonista. O exagero estridente de sua crítica ao ex-vice-presidente Dick Cheney roubou sua própria credibilidade e também a diversão de quem foi ver a sua obra. A construção ou desconstrução do personagem foi feita com claro menosprezo. Não que Cheney mereça nossa admiração ou afeição. Ele, na verdade, é um político que representa a mesma escoria que estamos acostumados aqui no Brasil.

Sua trajetória política de assessor de Donald Rumsfeld até a Casa Branca foi marcada por evidente oportunismo e sua empresa de logística ganhou, sem licitação, milhares de dólares com a guerra do Iraque. Mas o que fica evidente é que o mesmo tratamento é dispensado ao partido democrata. Já no início do filme quando estagiários estão decidindo espaços no governo, o jovem Cheney se define como republicano ao ouvir e se identificar com um discurso abjeto do também republicano Donald Rumsfeld (Steve Carell). 

VICE, tem oito Indicações ao Oscar incluindo o de Melhor Filme e de Melhor Ator. Hoje faz parte da política da Academy Awards premiar filmes que possuem sua agenda e ao mesmo tempo ignorar aquelas obras que não satisfaça seu apetite progressista. Há muito tempo Hollywood foi ocupada por militantes que desejam emplacar sua visão liberal de mundo através da arte.

O destaque vai para Christian Bale que se transforma para interpretar Dick Cheney. Seu trabalho, a princípio, é realmente impressionante, mas depois de duas horas de repetição dos mesmos cacoetes ficou bem cansativo. VICE é uma caricatura de personagens reais do GOP (Partido Republicano) com o fim político claro de atacar tudo o que ele representa. O roteiro se torna parcial ao criticar somente um lado. 

Adam McKay e seus pares até hoje não produziram nenhuma obra sobre os desmandos dos governos democratas. Se o GOP tem seus problemas, os democratas os têm ainda maiores, e ninguém em Hollywood se manifestou a respeito. Somente o cineasta Dinesh D’Souza com baixíssimo orçamento conseguiu fazer “mágica” para mostrar as origens do partido e suas contradições na história. (2016: Hillary’s America: The Secret History of the Democratic Party) As viúvas de Obama podem protestar. O choro é livre.

“Ter dois pesos e duas medidas é objeto de abominação para o Senhor”. Provérbios 20.10

Enfim, se VICE é uma comédia, não tem graça. Se é um drama, não emociona.  E se é um filme biográfico não tem credibilidade por conta de seus exageros e reducionismo histórico. Ao tentar explorar um tema tão complexo como os acontecimentos na América na primeira década do terceiro milênio era necessário maior rigor e honestidade com os fatos.

Nota: críticas ao texto são bem-vindas, desde quando sejam educadas e visem a edificação ou ampliação do debate. Na verdade, meu intuito ao resenhar filmes é despertar o senso crítico a fim de que saibamos identificar e interpretar as motivações que existem por trás da tela.