Vencendo as tentações: “Homem casado não tem amiga”, destaca Josué Gonçalves

Hombridade 2022: O pastor ensinou como manter a fidelidade acesa em tempos em que a infidelidade se tornou comum. Aprenda vencer a cobiça para que, por ela, não seja tentado e vencido

Luis Felipe/CN

O Pastor Josué Gonçalves iniciou sua mensagem falando da importância da fidelidade a Deus, ao cônjuge, aos filhos, amigos e à igreja.

  • Ouvistes o que foi dito aos antigos: não cometerás adultério. Mateus 5:27

Fidelidade

A infidelidade, infelizmente, tem aumentado não apenas entre os homens, mas também entre as mulheres. Dessa forma, os homens de Deus devem estar dispostos a se manter em integridade, sendo maridos de uma só mulher, sendo como um jardim fechado, em que apenas os próprios cônjuges tenham acesso um ao outro.

Segundo o preletor, fidelidade é honrar o cônjuge na ausência, mesmo não estando perto a todo instante, em todo momento, é honrar, também na ausência, os amigos e os filhos, assim como foi com José que, mesmo com Potifar não estando por perto, decidiu ter um compromisso com seu amigo, pois José tinha uma aliança de fidelidade com ele e, acima de tudo, com Deus. Talvez, para os homens, o maior desafio está em manter a fidelidade, se tornando como um jardim fechado onde apenas suas esposas possuem acesso.

Tentações

Ao tratar desse tema, é impossível falar de fidelidade sem antes falar em tentação, visto que o próprio Cristo inseriu esse conteúdo na oração do Pai Nosso: “não nos deixeis cair em tentação”.
Tentação é o desafio nosso de cada dia. Em Tiago 01:04 “cada um, porém, é tentado”. Aqui, Tiago não se restringiu a determinados grupos, mas disse “cada um”, o que inclui a todos.

Assim, nós somos tentados a mentir (mentiras emergenciais), tentados a comer um pouco mais além do limite, ou mesmo ficar com aquilo que não nos pertence, de maneira que, já ao acordar, iniciamos a nossa batalha contra as tentações.

Importante destacar que, quando Tiago diz que “pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido”, em nenhum momento ele insere a figura do diabo nesse processo de tentação, mas sim a própria cobiça, em que se é arrastado e seduzido. Desse modo, o maior adversário que temos está em nós mesmos e, nesse sentido, Paulo também mencionou: “miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Portanto, ao se engravidar a cobiça, ela dará luz ao pecado.

Muitos homens da Bíblia tinham seus pontos de fraqueza

Abraão, por exemplo, vez ou outra mentia, Sanção tinha áreas vulneráveis com mulheres proibidas, Pedro tinha problemas com seu temperamento, e Judas era fraco com o dinheiro. Todos nós, então, temos nossas áreas de vulnerabilidade, sendo o próprio pastor Josué, como afirmou, vulnerável ao seu temperamento.

Davi, erroneamente, encaminhou mensageiros para buscar Betsabé e, depois que ela ficou gravida, a fim de resolver o problema, mandou trazer Urias da guerra para se deitar com ela e todos pensarem que o filho seria do marido dela. Davi estava no lugar errado e na hora errada quando colocou os olhos em uma mulher já comprometida.

A fraqueza das mulheres está na boca, nas palavras, enquanto que o fraco dos homens está nos olhos, sendo eles a porta de acesso para a nossa alma

Josué Gonçalves

Excesso de Autoconfiança

Todo pecado é precedido de uma tentação, e José discerniu isso como poucos. A tentação é a razão primária para desejarmos o pecado. Mas por que muitos, então, não vencem a tentação, mas se rendem ao pecado, arruinando sua própria vida, seu casamento, seu ministério e sua família? Por que Caim, Davi, Saul e tantos outros acabaram cedendo à tentação?

Primeiramente, a resposta a essas perguntas está intimamente ligada ao excesso de autoconfiança, e ao pensamento de que é possível flertar com o pecado e sair ileso dele.
Esses homens cederam à tentação por que brincaram e se arriscaram, como foi com Sansão que, “de tanto brincar de se amarrar, amarrado ele ficou”. De tanto permanecer na zona de perigo, ele acabou amarrado. Igualmente, Pedro achou que era alguém tão capaz que chegou a dizer para Jesus que, mesmo que todos o negassem, ele jamais o negaria e, após o cantar do terceiro galo, vimos o contrário. Então, temos que ter cuidado com o excesso de autoconfiança, de modo que aquele que está de pé, que cuide para que não caia, como afirmou o apóstolo Paulo.

Luis Felipe/CN

Demarcando limites

Muitos caem em tentação por que não levam a sério os seus limites, pois eles servem para demarcar territórios, determinando até onde podemos ir e vir. O próprio Jesus disse: “vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41).

Nenhum adultério acontece de uma hora para outra

As pessoas cedem aos poucos, não é algo repentino. O livro de 2 Samuel relata que, em tempos em que os reis saiam para a guerra, Davi permaneceu em Jerusalém, no conforto do palácio, enviando apenas seu general Joabe à guerra. Então não foi “de repente” que ele entrou em adultério com Betsabé.
Precisamos prestar atenção nos movimentos de nossa alma, e nos pensamentos que circulam e passam por nossa mente. Segundo o pastor Josué Gonçalves, algo no coração de Davi já não estava bem, ele já não estava perto de Deus, estava longe.

Precisamos, pois estabelecer limites, visto que o diabo não brinca de ser diabo, ele não tem pressa para agir, ele é um psicólogo milenar e um bom estrategista. Por isso, é necessário colocar limites em nossos celulares, redes sociais, computadores, dentro de nossos carros, e limites também em pessoas que se aproximam, visto que, como bem frisado pelo preletor, “homem casado não tem amiga”.

Aos empresários, é fundamental colocar limites em suas salas de trabalho. É essencial, também, estabelecer limites em nossas casas e com as amizades que as frequentam, para que não sejamos as próximas vítimas do inimigo.

Possíveis conselhos de um rei

Se Davi estivesse pronto para dar um conselho em seu pós adultério, ele diria: “cuidado com seu tempo livre, pois um caso pode começar num café, num período de férias na praia, etc.”. Portanto, ocupe-se enquanto espera, porque, segundo o preletor, “mente vazia continua sendo oficina do diabo”.
Ainda, Davi também diria que o pecado pode nos prender por mais tempo do que estamos dispostos a ficar, e vai nos levar mais longe do que estaríamos dispostos a ir e cobrará um preço mais alto do que estaríamos dispostos a pagar. Ele nos diria que não vale a pena.

Guardando a mente

Devemos colocar limites em nossa mente, pois “sobretudo o que se deve guardar, guarda o seu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.
Uma reputação pode levar 30 anos para ser construída, e 30 minutos para ser destruída. Chegou o tempo de parar de flertar com o pecado.
O melhor momento para vencer uma tentação é quando ela começa, assim como foi quando a mulher de Potifar encurralou José e ele correu, de modo que, em se tratando de tentação e pecado, o melhor caminho é ser radical.

Trazendo para luz

Por fim, muitos caem em pecado por que não confessam suas tentações. Devemos seguir a determinação de Tiago: “portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados” (Tiago 5:16).

A mentira tem a ver com as trevas, e as trevas são áreas de jurisdição de satanás. O sangue de Jesus só é validado na luz, e o poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas, em nossas vulnerabilidades, de modo que, como dito pelo pastor Josué, “quem confessa uma tentação não confessa um pecado, e quem confessa uma fraqueza, não confessa um fracasso”.

por Guilherme Mariano