Pentecostes

Atos 2

O mundo está em movimento e nós não podemos ficar para trás. Precisamos nos transformar de glória em glória, de vitória em vitória. A descrição bíblica acerca de quem somos implica em transformação constante!

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Hoje vamos conversar sobre o poder da Presença. Não estamos falando de uma presença qualquer, mas daquela que é A Presença, que muda a atmosfera, transformas histórias e promove milagres. Refiro-me à presença gloriosa de Deus e quero começar lendo com você o texto que reflete a primeira grande intervenção direta da presença de Deus na História: o dia de Pentecostes depois que Cristo ascendeu aos Céus.

E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar;

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.

E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?

Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Asia,

E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,

Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.

E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?

E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

Atos 2:1-13

Naquele dia, Deus rugiu do Céu! Dois mundos entraram em colisão e se encontraram. Céus e Terra se abraçaram e o Espírito Santo veio sobre nós. A escada do sonho de Jacó, o portal dos Céus, se abriu e um vento impetuoso vindo do céu invadiu a Terra.

No dia de Pentecostes, algo aconteceu: o consolador, o paracleto, veio até nós. Os corações foram enchidos pelo Espírito Santo e a cidade que crucificou Jesus passou a se perguntar como poderia ser salva!

Transformações inacreditáveis aconteceram! Continue lendo o texto e veja a experiência de Pedro: de discípulo medroso, que negara Jesus em frente a simples servos da casa do sumo sacerdote, passou a ousado pregador das boas novas de Jesus, anunciando de modo destemido a Salvação e a necessidade de arrependimento dos pecados. O discípulo instável tornou-se o líder da igreja primitiva e até mesmo sua sombra curava os doentes, tamanho era o poder do Espírito Santo que agora o habitava.

A língua dos céus foi derramada e as pessoas presentes falavam uma língua de louvor, proclamando as maravilhas de Deus. Entenda: era diferente de uma oração, em que se espera receber algo. Era um tipo de clamor sobre o que significava estar perto de Deus, não sobre o que se poderia obter dele.

Com isso, posso te dizer o seguinte: o favor real se encontra no encontro! O encontro com Deus muda a atmosfera e abre um canal de comunicação com o Pai! É algo tão forte que transforma a nossa aparência! Veja os textos de Êxodo 34:35 e de II Coríntios 3:13, os quais descrevem o brilho esplendoroso que o rosto de Moisés exibia toda vez que se encontrava com o Senhor. Era radiante!

Perceba que quanto mais exposto a Deus você é, mais radiante e contagiante se torna! Por isso precisamos de uma cultura orientada pela presença de Deus! Deus se encontra em meios aos louvores e é por isso que temos de incentivar grandes momentos de adoração! É na Presença que o Poder se manifesta!

Para continuarmos conversando sobre a grandiosidade da Presença de Deus, vou te contar a história de três reis de Israel e de como a importância que cada um deles deu ao encontro com Deus mudou suas trajetórias.

Vamos começar com Saul, o primeiro rei de Israel.

Saul tinha pouca ou nenhuma consideração pela presença de Deus. Leia o quarto capítulo do primeiro livro do profeta Samuel e veja que, quando a arca foi roubada, Saul não se importou e não mobilizou forças para retomar a Arca da Aliança. Pesquise um pouco mais e você verá que a Arca simbolizava a Presença de Deus no meio do povo. Estar perante a Arca significava encontrar-se com o Senhor e isso era tudo que um rei necessitaria para governar segundo os caminhos de Deus.

O resumo da história que se seguiu foi que Saul perdeu seu reinado por desprezar a única coisa que poderia mantê-lo: a Presença. Seus descendentes não se perpetuaram no trono e sua vida acabou em desgraça.

A unção de Saul foi então transferida para um jovem pastor de ovelhas que amava a Deus de todo o seu coração e Nele depositava uma fé que o fez derrubar gigantes e desbaratar exércitos. Seu nome era Davi, o filho caçula de uma grande família, que não recebia muita importância sequer do próprio pai, mas que ficou conhecido como “o homem segundo o coração de Deus”.

Leia I Samuel 16 e veja que o Espírito de Deus se apoderou de Davi e então o jovem pastor teve sua história transformada!

Quando se tornou rei, a primeira ação de Davi foi promover o retorno honroso da Arca para Israel. Ele organizou toda uma comitiva de sacerdotes, preparou uma grande infraestrutura e colocou a arca sobre um carro de bois.

Deixe-me abrir um parêntese: no meio do caminho, algo surpreendente aconteceu. Em II Samuel 6, vemos que um sacerdote (cujo nome era Uzá) morreu simplesmente por tocar a arca quando tentava impedir que esta tombasse. Tiramos daqui uma lição muito importante, qual seja: a Presença de Deus não pode ser controlada por nós, mas tem seus próprios caminhos.

O rei Davi então analisou a situação e compreendeu que precisaria lidar com a Presença de Deus de modo diferente: estar diante do Senhor exige de nós sacrifício. Davi então mudou suas vestes de rei e trajou-se como um sacerdote e a arca foi posta em hastes de sustentação sobre os ombros dos sacerdotes, que a carregaram por todo o caminho, parando de tempos em tempos para sacrificar um boi ao Senhor.

Chegando em Israel, Davi estava adorando ao Senhor de modo tão extravagante que foi censurado por sua esposa Mical, filha do antigo rei Saul. Mical apontou o excesso de exposição de Davi e foi como se o rei estivesse sendo humilhado. Mical, como seu pai, desprezava a presença de Deus e vemos então que a adoração extrema ofende pessoas frias.

A resposta de Davi foi de uma sabedoria notável. Ele disse à sua esposa que a humilhação diante do Senhor render-lhe-ia honra diante das pessoas e, quem conhece a história de Davi, sabe que foi exatamente o que aconteceu, por mais percalços que o rei tenha enfrentado.

Voltando a Mical, esta nunca conseguiu gerar filhos e então aprendemos uma outra importante lição: a esterilidade é o resultado de desprezar aqueles que celebram a Presença. Então, cuidado! Quando você vir alguém adorando de modo extravagante, prepare-se para a manifestação do espírito de Judas e saiba que o fim de quem despreza a Presença não é bom.

O sucessor de Davi no trono de Israel foi seu filho Salomão. Salomão foi o homem mais sábio da Terra e seu reino foi o mais próspero da antiguidade. Ele se encontrou com Deus duas vezes, foi tocado pela Presença e teve sua vida transformada pelo Senhor.

Em seu primeiro encontro, Salomão nos mostrou que ter o coração no lugar certo agrada ao Senhor e Ele faz prosperar aqueles que nele confiam. Em seu segundo encontro, na consagração do templo que construiu para Deus (I Reis 8) a história de Salomão nos mostra que quando estamos despojados na Presença do Senhor, dispostos a fazer sacrifícios, Ele se mostra a nós.

Vemos que Salomão amava a Deus, mas, ao longo de sua vida, ele se perdeu, pois modificou a adoração de acordo com o seu próprio estilo, desobedecendo as ordens de prestar culto ao Senhor apenas no templo. Então Salomão se perdeu em seu próprio conhecimento e terminou seus dias de modo bem diferente do que começou.

Salomão casou-se com várias mulheres para evitar guerras e fazer tratados, interferindo naquilo que Deus mesmo faria por ele. Com isso, ele teve contato com outras religiões e seu coração se contaminou.

A vida de Salomão mostra que não podemos nos alimentar dos encontros que tivemos com Deus no passado, porque depois de ver toda a glória que viu, o rei mais sábio que o mundo já viu, apostatou. Salomão agiu em contraposição ao seu pai, Davi, que era o homem da Presença.

Você consegue assimilar esta história ao que ocorreu depois da Reforma Protestante com as igrejas históricas? O fervor da Reforma durou pouco tempo. Em apenas alguns anos, o cristianismo reformado tornou-se uma religião com aparência de piedade, mas que nega o poder do Espírito Santo, por ser extremamente racional e voltada ao conhecimento puro, assim como fez Salomão.

Muitas das igrejas da Reforma se transformaram em templos iluministas, que cultuam a reflexão e a razão. Mas a igreja é o lugar a partir do qual se manifesta a glória de Deus!

Vamos sair do Velho Testamento e avançar até o tempo do ministério de Jesus. Depois de preso, João Batista, o precursor do Messias, também duvidou do que antes lhe era plena certeza: que Jesus era o Cristo. Em resposta, Jesus lhe mandou suas credenciais apostólicas de cura, milagres e transformação de vidas. Perceba que o nosso ministério é a manifestação externa de uma experiência interna. Jesus vivia na Presença do Pai, por isso fazia aquilo que o Pai desejava.

Vamos avançar? No capítulo 11 do livro de Hebreus (conhecido por nós como o trecho do Novo Testamento que lista os heróis da fé) vemos a base para um princípio muito importante: a herança é o elo entre as gerações, sendo que o teto de uma geração é o piso para o início da caminhada da próxima. Por isso devemos honrar as gerações passadas, que pagaram o preço por nós.

Por que estou dizendo isso? Muitos avivalistas já viveram antes de nós e tiveram experiências com a Presença de Deus que transformaram suas gerações. Procure por nomes como Spurgeon, Finley, Bunyan e Wesley e veja o traçado que estes homens deixaram para nós. Precisamos resgatar essa herança para sermos promotores de um novo avivamento, clamando pela manifestação da Presença de Deus em nosso tempo.

Dizem que a Inglaterra não passou por uma revolução sangrenta como a francesa por causa da pregação de John Wesley. Hoje existem mantos de poder enterrados e poços entulhados, precisando ser descobertos para que demos continuidade à obra de avivamento que já foi iniciada várias vezes.

Não, não queremos que o tempo da Reforma retorne. Aquele tempo passou e trouxe consigo grandes mudanças ao cristianismo. Mas queremos ver novamente a manifestação do poder de Deus como em Atos 2. Precisamos aprender a clamar como os grandes avivalistas, pedindo a Deus que promova de novo em nosso tempo uma grande manifestação do seu Poder e da sua Presença.

Antes de finalizarmos, te convido a pesquisar sobre a vida de um grande pregador do nosso tempo: Billy Graham. Em uma viagem estudantil à casa do inglês fundador da igreja metodista, John Wesley, o jovem Billy, que já conhecia a história de Poder que envolveu a trajetória do ex-anglicano, prostrou-se no mesmo lugar em que o antigo pastor metodista costumava orar e clamou ao Senhor que fizesse em nosso tempo o que fizera na geração de Wesley. O resultado? Procure por “Billy Graham” na internet e veja com seus próprios olhos!

Veja bem, o trabalho de Deus é acender a chama em nós. Já o papel do homem, é manter acesa essa chama, propagando as boas novas do evangelho de Jesus, clamando a Deus pela manifestação da Sua Presença entre nós, promovendo ambientes de louvor em que Deus habite e venha encontrar-se conosco.

Faça uma rápida pesquisa no Google: as buscas por termos como “oração” e “música gospel” superou as buscas por “suicídio” e “música sertaneja”. O mundo tem sede de Deus e, como eu já disse, o favor encontra-se no Encontro! Temos de ser os vetores desta colisão maravilhosa entre o Céu e a Terra.

Estar diante do altar do Senhor alimenta a nossa fé e a natureza da fé é viver de acordo com o futuro! Leia o capítulo 54 do livro de Isaías e note que os atos de gratidão e de júbilo são nossa prova externa da fé que temos. Acredite que a glória que está por vir é ainda muito maior do que qualquer manifestação do Senhor até hoje vista.

Que nossa oração hoje seja: “Senhor, faz de novo! Derrama sobre nós a tua glória como no dia de Pentecostes”.

Texto transcrito e adaptado por Anna Caroline Pacheco Cintra.

Anna é membro da Comunidade das Nações desde 2017, concluiu todos os módulos da Academia das Nações em 2019, oportunidade em que firmou seu propósito de contribuir para a expansão do Reino atuando no Monte da Educação, entendendo que tem como missão aplainar os caminhos do conhecimento para que o povo de Deus seja instrumento para trazer o Céu à Terra. É professora de finanças, estudante de pedagogia e atua no mercado financeiro há mais de 10 anos.