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Conteúdo O Poder da Ressurreição

O Poder da Ressurreição

Adentramos agora o quinto capítulo do Evangelho de João, um manancial de verdades profundas sobre a pessoa e a obra de Jesus Cristo. No versículo 24, encontramos uma declaração solene, marcada pela dupla afirmação “em verdade, em verdade vos digo”, que ressoa com a autoridade divina do Mestre: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna; não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.”1

Neste domingo de Páscoa, somos confrontados com a essência desta celebração: a ressurreição. Este evento central da fé cristã, ocorrido por volta do ano 33 da nossa era (com uma possível variação de calendário para o ano 29), não é apenas um fato histórico isolado, mas o divisor de águas da história. A abertura daquele túmulo na Judeia empoeirada inaugurou uma nova criação, um movimento celestial na terra que continua a transformar o curso da história.

Como bem expressou N.T. Wright, um dos teólogos mais relevantes da nossa geração, o mundo recomeçou, foi restaurado naquela Páscoa. Vivemos no intervalo entre a ressurreição de Jesus e a consumação de um novo mundo de Deus, um processo dinâmico que se desenrola em tempo real.

Em meio aos desafios e às perplexidades da nossa época, onde índices de violência e criminalidade nos assustam, é crucial mantermos nossa perspectiva ancorada na verdade do Evangelho. Jesus nos advertiu sobre o perigo de ganharmos o mundo e perdermos a nossa alma, tornando-nos insensíveis e endurecidos. A separação entre aqueles que abraçam a vida em Cristo e aqueles que se afastam parece se intensificar.

Contudo, a história nos lembra que o mal não é uma novidade. O mundo em que Jesus nasceu era um lugar de crueldade e opressão, marcado pela brutalidade do Império Romano, pela escravidão generalizada e por práticas sociais degradantes. Foi o cristianismo, como apontou o historiador Rodney Stark, que revolucionou essa sociedade, derrubando agendas de morte e reinventando a civilização com valores de família e compaixão.

Portanto, a nostalgia de um passado idealizado é ilusória, e o presente, embora desafiador, não está mais endemoniado do que outrora. O fermento do Evangelho tem transformado a história, erguendo das cinzas do Império Romano a civilização ocidental com seus códigos de direito e leis progressivamente estabelecidas. As recaídas que observamos são desvios temporários em uma trajetória de redenção.

A ascensão e queda de impérios e ideologias, como o Terceiro Reich de Hitler, nos ensinam sobre a futilidade de projetos humanos que se opõem ao Reino de Deus. O inferno, como Dante descreveu, é o lugar onde a esperança se extingue. Mas a mensagem de Jesus é uma proclamação de esperança, uma realidade presente do Reino de Deus que irrompeu com poder.

A expansão do Evangelho, desde os humildes começos em Jerusalém até alcançar os confins da terra, atesta o poder transformador da mensagem de Cristo. A conversão do Imperador Constantino e a subsequente cristianização do Império Romano, embora com suas complexidades, marcaram um ponto de inflexão na história. Os bárbaros que outrora ameaçavam Roma renderam-se ao carpinteiro de Nazaré, moldando a Europa cristã que conhecemos.

Essa história nos prepara para compreender que a improvável vitória do Evangelho, uma mensagem que parecia loucura para os gregos e escândalo para os judeus, não se deu por força humana, mas pelo poder de Deus. O milagre da ressurreição é a pedra angular desta fé, o cordeiro sacrificial que tira o pecado do mundo, a expiação que nos reconcilia com Deus.

A redenção, portanto, não é meramente o resgate de almas de um mundo perverso, mas a renovação da criação, a extração do mal que a corrompe. O mal será derrotado, pisado sob os pés daqueles que creem.

Em Cristo Jesus, ao nascermos de novo, nossa velha natureza de pecado morre sobrenaturalmente. Somos transformados de glória em glória, chamados santos, amados por Deus mesmo quando éramos pecadores. O pecado não terá domínio sobre nós, pois vivemos sob a graça, e quem nasceu de Deus não vive na prática contínua do pecado.

O Reino de Deus avança, sujeitando Seus inimigos sob os pés de Cristo, conforme o Salmo 110, um dos textos mais citados no Novo Testamento. Desde a crucificação, testemunhamos o crescimento exponencial deste movimento, de poucos discípulos a bilhões de seguidores em todo o planeta, não por coerção, mas por convicção pessoal.

N.T. Wright nos lembra que uma nova criação emergiu do túmulo, onde todo poder e autoridade devem se sujeitar ao Messias. Enquanto muitos cristãos anseiam pelo céu, o coração de Deus anela pelas nações, para que o Evangelho alcance cada canto da terra. A ordem de Jesus aos Seus discípulos foi clara: ir a todas as nações, batizando e ensinando.

No final de todas as coisas, a morte será vencida pela ressurreição. Os túmulos se abrirão, e haverá uma separação entre o bem e o mal, culminando em uma nova Terra e um novo céu, não uma criação totalmente outra, mas uma Terra renovada. Como o Salmo 102 declara, os céus e a terra envelhecerão, mas Deus permanece para sempre. Nossa origem é celestial, mas nosso domínio é terreno; temos dupla cidadania.

Apocalipse nos assegura que aqueles que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro têm direito de entrar na cidade celestial. Nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos o Salvador, que transformará nosso corpo de humilhação em um corpo glorioso, semelhante ao Seu. Todo poder será subjugado a Ele.

Para compreendermos plenamente esta verdade, é crucial entendermos o contexto geográfico e cultural das palavras de Paulo aos Filipenses. Filipos, uma colônia romana, conferia aos seus habitantes a cidadania romana, mesmo estando longe de Roma. Da mesma forma, nossa cidadania celestial nos capacita a colonizar a Terra com os valores do céu, tornando-a um lugar onde Deus se sente à vontade.

Os títulos imperiais de Salvador, Senhor e Rei, aplicados a Jesus, desafiavam a ordem estabelecida do Império Romano. Os cristãos foram perseguidos por proclamarem um novo Rei, crucificado e ressuscitado. A mensagem do Evangelho, embora parecesse loucura e escândalo, carregava consigo o poder da sua origem divina. Os sinais e milagres que acompanharam a pregação dos apóstolos e seus discípulos atestavam a veracidade da mensagem do carpinteiro ressuscitado.

O historiador Chadwick nos lembra que o mundo se tornou cristão nos primeiros séculos através de um movimento poderoso, onde os pagãos se dobraram diante do Evangelho, reconhecendo o poder superior do “feitiço de Deus”. Os deuses antigos caíram, abrindo espaço para a manifestação do único Deus verdadeiro.

Esta mesma transformação pode ocorrer novamente. Veremos um grande derramamento do Espírito Santo, com sinais e maravilhas, ressurreição de mortos e a bênção de Deus sobre o Seu povo. Os anjos estão ao nosso redor, e seremos visitados com visões e toques especiais, como na Igreja primitiva de Atos.

Nossa pátria está no céu, e embora sejamos celestiais em Cristo, Ele virá dos céus para transformar nossos corpos mortais em corpos de glória.

Capítulo 2: A Hora Vem, e Já Chegou: A Ressurreição Presente e Futura

Retornando ao texto de João 5, o versículo 25 declara: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.” Esta afirmação revela a natureza presente e futura da ressurreição. Há uma ressurreição espiritual que ocorre quando ouvimos e cremos na palavra de Jesus, passando da morte espiritual para a vida eterna. Mas há também uma ressurreição física vindoura.

O versículo 26 explica a fonte desta vida: “Porque, assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.” Jesus possui vida inerente, a mesma vida divina do Pai, e tem o poder de conceder essa vida a outros.

O versículo 27 acrescenta: “E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.” Sua humanidade O qualifica como justo juiz.

Jesus prossegue no versículo 28: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz

A Hora Vem, e Já Chegou: A Ressurreição Presente e Futura

Retornando ao texto de João 5, o versículo 28 declara: “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz.”

O versículo 29 descreve o resultado dessa convocação: “e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição1 do juízo.” Esta passagem crucial revela a dupla natureza da ressurreição futura: uma para a vida eterna e outra para o juízo final.

Estamos, de fato, vivendo neste domingo de Páscoa, imersos na realidade da ressurreição. A Páscoa de Jesus, ocorrida há cerca de dois mil anos, marca o início de uma nova criação, um movimento divino que continua a transformar a história. A possibilidade de um grande mover celestial na terra nos próximos anos, marcando os dois milênios da ressurreição, é uma expectativa que acende a esperança em nossos corações.

N.T. Wright nos lembra que o mundo foi restaurado naquela primeira Páscoa. Vivemos entre a ressurreição de Jesus e a plena manifestação do novo mundo de Deus. Embora enfrentemos desafios e testemunhemos a intensificação do mal em alguns aspectos, a verdade é que o Evangelho tem sido um agente de transformação poderosa ao longo da história.

O sacrifício de Jesus, o Cordeiro de Deus, é a base da nossa fé. Sua morte e ressurreição venceram o pecado e a morte, oferecendo-nos a vida eterna. A redenção não é apenas o resgate de almas, mas a renovação de toda a criação.

Em Cristo, somos novas criaturas, chamados santos, e o pecado não tem mais domínio sobre nós. O Reino de Deus avança, e o Messias reina à destra do Pai, até que todos os Seus inimigos sejam subjugados. Nossa cidadania celestial nos capacita a trazer os valores do céu para a terra.

A mensagem do Evangelho, embora parecesse loucura para alguns e escândalo para outros, carrega consigo o poder de Deus para a salvação. Os milagres que acompanharam a pregação do Evangelho nos primeiros séculos atestam essa verdade. O mundo se tornou cristão através de um mover poderoso do Espírito Santo, derrubando os ídolos e estabelecendo o reinado do único Deus verdadeiro.

Essa mesma transformação pode ocorrer novamente. Podemos esperar um grande derramamento do Espírito Santo, com sinais e maravilhas, ressurreição de mortos e a bênção de Deus sobre o Seu povo.

Nossa pátria está no céu, e aguardamos a vinda do Salvador, que transformará nossos corpos mortais em corpos de glória. A ressurreição não é apenas vida após a morte, mas vida após a vida após a morte, uma existência física imortal e incorruptível.

A redenção é a renovação da criação, a extração do mal que a corrompe. O mal será derrotado, e um novo mundo de justiça, cura e esperança surgirá. A ressurreição de Jesus é o anúncio desse novo dia.

O futuro, marcado pela volta de Jesus (parousia), nos encontrará no presente. A vinda de Jesus significa Sua presença real, um encontro transformador que culminará na ressurreição dos mortos e na transformação dos vivos.

A sétima trombeta, mencionada em Apocalipse, anunciará o estabelecimento pleno do Reino de nosso Senhor e do Seu Cristo sobre todas as nações.

Cristo é a nossa vida, e quando Ele se manifestar, nós também seremos manifestados com Ele em glória. Já temos a vida de Cristo em nós, a esperança da glória.

Quando nos encontrarmos com Jesus, seremos transformados, revestidos de incorruptibilidade e imortalidade. A ressurreição é o poder de Deus invadindo este mundo, enchendo a terra da Sua glória.

Jesus está fisicamente no céu, com um corpo ressuscitado. O céu não é um lugar não material, mas o ponto de encontro entre a matéria e o espírito, o tempo e a eternidade.

Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo voltará! A mensagem da cruz culmina na manhã da ressurreição. A pedra rolou, o sepulcro está vazio, e a vida emergiu vitoriosa sobre a morte. A ressurreição não é um tema marginal, mas o coração da vitória cristã.

Se não há ressurreição, então nossa fé é vã. Mas Cristo ressuscitou dentre os mortos, as primícias dos que dormem. A morte veio por um homem, mas a ressurreição veio por um Homem, Jesus Cristo.

O último inimigo a ser destruído é a morte. A ressurreição de Jesus demonstra que há esperança além da sepultura. Ele tomou as chaves do inferno e da morte.

A mensagem da ressurreição é radical, revolucionária. Os que creram na ressurreição enfrentaram a morte com paz e coragem. A ressurreição nos liberta do medo da morte.

Devemos pregar a cruz, mas também devemos anunciar o domingo de Páscoa, o sepulcro vazio, a vitória sobre a morte. A ressurreição inaugura uma nova era onde nada é impossível.

Todos os inimigos foram vencidos, a morte foi tragada pela vitória, e o inferno abriu suas portas. Jesus ressuscitou os mortos para mostrar que nem todos morrem na hora certa.

Seja bem-vinda, nova manhã, um dia que jamais terminará, cheio de luz, onde não haverá mais dor nem morte. Somos o povo da cruz, o povo da ressurreição, o povo sem medo da morte. Jesus Cristo é o Senhor da era presente e da era por vir.

O Evangelho não é uma fuga, mas a boa nova de que a era por vir está invadindo a era presente. Deus está corrigindo a história, sacudindo as nações e preparando um povo para a Sua vinda.

A parousia é a presença real de Jesus, um encontro transformador. Ele virá para resgatar a Sua criação, submetendo todos os inimigos e colocando todas as coisas em ordem.

A ressurreição dos mortos e a transformação dos vivos ocorrerão na vinda do Senhor. Estaremos para sempre com Ele.

O céu tem uma história de vitórias sobre as forças do mal. Jesus destronou principados e potestades na cruz.

Ele virá com os anjos do Seu poder em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho.

Este é um tempo de agitação, a transição para a era do Messias. Não nos conformemos com esta era, mas sejamos transformados pela renovação da nossa mente.

A vinda de Jesus é a manifestação da nossa vida, pois Cristo é a nossa vida. Quando Ele aparecer, nós também apareceremos com Ele em glória.

Somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele.2

Purifiquemo-nos, pois, como Ele é puro, aguardando com esperança a Sua vinda.

A Vitória da Ressurreição e o Nosso Chamado

A mensagem da ressurreição é um chamado à decisão. Não podemos permanecer neutros diante da verdade do Evangelho. Deus nos chama a ir por todo o mundo, pregando as boas novas. Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado.

A fé genuína se manifesta no batismo e em uma vida transformada. Não podemos nos contentar com uma religião superficial, mas buscar um relacionamento vivo com Jesus, sendo guiados pelo Espírito Santo.

O fruto do Espírito deve ser evidente em nossas vidas: amor, paz, alegria, bondade, benignidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Os que vivem na prática do pecado não herdarão o Reino de Deus.

Em Cristo, crucificamos nossas paixões e desejos da carne e andamos no Espírito. Temos o poder de vencer nossas contradições e viver em liberdade.

Aceitemos Jesus como nosso Salvador e Senhor, rendendo nossas vidas à Sua vontade.

A ressurreição é o maior poder que Deus usou, um poder não convencional que venceu a morte. Liberamos esse poder sobre corpos enfermos, sobre vidas aprisionadas pelo pecado e sobre toda forma de opressão.

Oremos pelos nossos líderes, pela cura e pela bênção sobre as nações. Oremos pelos nossos familiares, para que encontrem o Salvador.

Acreditamos que Jesus Cristo é o Senhor da era presente e da era por vir. O Evangelho é a boa nova de que o Reino de Deus chegou, invadindo este mundo e corrigindo a história.

As forças do mal sabem que seu tempo está se esgotando. A história caminha em direção ao cumprimento do plano original da criação. Jesus é digno de abrir o livro e levar a história ao seu ponto final.

O Reino de Deus chegou, e o mundo começou novamente. O Messias é o Rei dos vivos e dos mortos.

Escolha o seu lado. Há dois reinos lutando pela sua alma. O diabo oferece recompensas passageiras, mas Cristo oferece a vida eterna. Fomos comprados pelo sangue precioso de Jesus; não abaixemos o nosso preço.

Deus está contratando pessoas para a Sua seara, e o diabo também. Escolha servir ao Rei dos reis.

Na eternidade, há um lugar preparado para você. Que ele não fique vazio.

O poder da ressurreição está disponível hoje para curar, libertar e transformar. Receba a vida, receba a cura, receba a graça em nome de Jesus.

Oremos uns pelos outros, abençoando aqueles que precisam encontrar o Salvador.

Possamos crer e ver o nosso Rei ser a nossa vida, exaltando Jesus, o Cristo que vive!


O Cântico da Libertação e Gratidão

A vida, em sua essência, é uma sucessão de desafios, de momentos em que nos sentimos à beira do abismo, cercados por forças que parecem prontas para nos engolir. É nesse cenário de aparente desamparo que o Salmo 124, um cântico de Davi e parte da rica coleção dos “Cânticos dos Degraus” (Salmos 120-134), ressoa com um brado de alívio e gratidão. Este Salmo de peregrinação, entoado por aqueles que subiam a Jerusalém para as grandes festividades anuais, é um testemunho da inabalável fidelidade de Deus em face das ameaças mais terríveis.

Davi, o salmista, inicia sua canção com uma declaração que é um suspiro de alívio e um grito de reconhecimento: “Não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, Israel que o diga, não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado quando os homens se levantaram contra nós, e nos teriam engolido vivos.” Essa repetição não é vã; ela sublinha a magnitude do perigo e a grandeza da libertação. Como Martinho Lutero observou sobre essa passagem, o medo é imensurável no perigo, mas quando ele passa, tendemos a diminuí-lo. É o engano do inimigo, que tenta obscurecer a graça de Deus.

Neste e-book, mergulharemos nas profundezas do Salmo 124, desvendando as metáforas vívidas que Davi usa para descrever o terror dos inimigos e a gloriosa intervenção divina. Veremos como a providência de Deus se manifesta em livramentos que parecem impossíveis, transformando situações de desespero em hinos de louvor. Que esta jornada pelas Escrituras edifique sua fé e o prepare para reconhecer o socorro do Criador em cada “passo” de sua própria peregrinação.

A Ameaça dos Inimigos Humanos

Davi inicia o Salmo 124 com uma vívida descrição das ameaças que Israel enfrentou. “Não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, Israel que o diga, não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado quando os homens se levantaram contra nós…” A ênfase é nos “homens”, nos adversários de carne e osso, que se levantaram com uma fúria tão intensa que, sem a intervenção divina, teriam “engolido vivos” o povo de Deus. Spurgeon comenta que a ira é mais ardente quando o povo de Deus é o alvo. Faíscas se transformam em chamas, e a fornalha se aquece sete vezes mais, como no caso de Nabucodonosor com os amigos de Daniel.

Quem nunca sentiu o hálito desse “monstro”, dessa força terrificante capaz de abocanhar vidas inteiras? Na Bíblia, sistemas humanos e reinos são frequentemente comparados a bestas, a leviatãs. Daniel, em sua visão, descreve monstros que esmagam, devoram e espezinham tudo (Daniel 7). O Livro de Jó (41) e Isaías (27:1) apresentam o Leviatã como uma criatura primitiva, uma serpente veloz e sinuosa, um dragão que habita no mar. Para muitos estudiosos, o Leviatã é mais do que um animal; é uma entidade espiritual, um principado que fomenta divisões e guerras.

O Espírito de Divisão e a Estratégia do Crocodilo

O espírito do Leviatã opera através da ofensa, da raiva, do desacordo e da desunião, distorcendo o significado de ações inocentes e transformando-as em malícia. Sustenta-se pela suspeita, torcendo tudo o que é dito para promover divisões – em casamentos, parcerias, famílias, e até mesmo na igreja. Pobre contra rico, homem contra mulher, jovem contra velho, negro contra branco, Sul contra Norte. O Leviatã, como o crocodilo do Nilo, age principalmente pela boca, pela mandíbula. Ele morde, leva para a água e, com o “giro da morte”, arranca e desmembra suas vítimas.

Quantos relacionamentos em sua vida foram desmembrados por esse espírito? Amizades desfeitas, famílias fragmentadas, parcerias rompidas. Quando Deus nos une a alguém, a unção é fortalecida por ligamentos e articulações. A dor das rupturas, dos ligamentos partidos, é excruciante. Pessoas com um histórico de rupturas em todas as esferas de sua vida frequentemente se encontram isoladas. O sucesso, muitas vezes, é feito de conexões, e ao perder as pessoas que Deus enviou, corremos o risco de perder nosso destino.

O inimigo se encarna em homens, e sua fúria se manifesta através de perseguições, difamações e traições. Mas a gloriosa verdade é que, quando Deus está ao nosso lado, são eles que tropeçam e caem. Não há monstro nesta vida que possa nos engolir. A inveja e o ciúme, que levaram Caim a matar Abel, os irmãos a vender José e os fariseus a entregar Jesus, são espíritos que tentam desacreditar quem se levanta e alcança algo. É preciso discernir o Leviatã por trás da mordida, mesmo que pareça inofensiva, e quebrar o poder que nos leva a odiar, a viver em ressentimento e a distorcer a realidade.

Isaías 59:19 profetiza que, embora as torrentes impetuosas possam vir, impelidas pelo Espírito do Senhor, elas não terão a capacidade de nos afogar. Como Isaías 43:2 promete: “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama1 arderá em ti.” Você passará para o outro lado desse rio, para uma zona livre de leviatãs.

As Águas Impetuosas – A Torrente que Tentou Submergir a Alma

A segunda metáfora que Davi usa para descrever o perigo é a de uma torrente de águas. “As águas nos teriam submergido, e sobre a nossa alma teria passado a torrente; águas impetuosas teriam passado sobre a nossa alma.” A ênfase é na alma, não apenas no corpo físico. A água como força destrutiva é uma imagem recorrente na Bíblia, representando enchentes avassaladoras, dilúvios que tudo engolfam.

As “águas soberbas ou impetuosas” simbolizam problemas que nos engolem, nos devoram, nos sobrecarregam como uma inundação, nos arrastam como uma torrente. O salmista reconhece que, sem o Senhor, seu destino teria sido o daqueles que são arrastados sem controle.

Asfixia Espiritual e Atmosfera Tóxica

Conheço pessoas que foram arrastadas por essas torrentes. Os problemas que nos engolem, os que sobrecarregam, são as águas que nos asfixiam e tiram nossa respiração. O inimigo trabalha para criar uma atmosfera tóxica ao nosso redor, inundando-nos de hostilidade, especulação, revolta, amargura e ressentimento. Podemos estar vivendo em um “habitat” que não é nosso, um ambiente insalubre para a alma.

A estratégia demoníaca é provocar sentimentos hostis e destrutivos uns contra os outros. O inimigo planta pensamentos em nossa mente, e se não aprendermos a andar no amor sobrenatural de Deus, seguiremos a frequência da polarização pessoal, religiosa e política. Quando o Leviatã não consegue desmembrar suas vítimas, ele tenta afogá-las, puxando-as para dentro de seu reino para cortar o oxigênio. Muitos “leões” (pessoas fortes na fé) perdem o ar, são asfixiados por situações que os oprimem.

Uma enxurrada de pensamentos negativos e inesperados, um ambiente de acusação, culpa e condenação – este é o ambiente do Leviatã. Satanás, o acusador dos irmãos, busca criar antagonismo e colocar uns contra os outros. Infelizmente, em alguns lugares que se autodenominam “igreja”, encontramos fragmentos do inferno, onde a crítica, a competição e o ódio prevalecem. O inimigo é especialista em criar mal-entendidos, onde emoções estão mais altas que a razão, destruindo relacionamentos.

A inveja é um espírito que apodrece os ossos e flui em ambientes onde pregadores têm ciúmes da audiência alheia, ou onde o sucesso de alguém desperta um espírito de ataque e desacreditação. Jesus foi entregue por inveja; Caim matou Abel por ciúmes; José foi vendido pelos irmãos por inveja. Você se torna um alvo quando se eleva acima do comum. É preciso discernir o Leviatã por trás da mordida que nos divide e quebrar esse poder que nos faz odiar e distorcer a verdade sobre as pessoas.

Mas a promessa permanece: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, elas não te afogarão; quando passares pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Isaías 43:1-2). Você vai passar para o outro lado desse rio, para uma zona livre de leviatãs, livre de ambientes tóxicos que buscam te engolfar.

As Garras da Fera e as Redes do Caçador – Livramento Total

A terceira metáfora fala de ser arrancado das garras e dos dentes das feras. “Bendito o Senhor, que não nos deu por presa aos dentes deles!” Esta não é a imagem do monstro que engole vivo, mas de uma fera com dentes afiados, pronta para rasgar e destruir suas vítimas em pedacinhos. Alguém disse que o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença. E a indiferença quer matar em pedacinhos, quer fazer picadinho, quer ferir na unha.

Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, teríamos sido dilacerados, estraçalhados, triturados e despedaçados pela calúnia, pelo desprezo e pelo desdém. Mas “bendito é o Senhor que não nos deu por presa aos dentes deles!” Ele é o nosso libertador, que nos livrará de toda obra maligna e nos levará salvos para o Seu reino celestial.

A Quebra do Laço – Libertação Total

A quarta e última metáfora é a do livramento como uma ave inocente salva das redes do caçador. “Salvou-se a nossa alma como um pássaro do laço dos passarinheiros; quebrou-se o laço, e nós nos vemos livres.” O Salmo termina com um grito de vitória, de que escapamos da armadilha posta pelo caçador. A mandíbula do inimigo foi quebrada; o que ele tentou fazer, caiu por terra. Eles conspiraram, mas caíram diante de nós.

O laço serve para nos impedir de voar, para aprisionar, limitar nossos movimentos, tirar nossa liberdade e impedir nosso potencial. Muitas pessoas se sentem presas por laços, impedidas de se desenvolver, de exercer sua verdadeira natureza. A armadilha é feita para amarrar, para manter em cativeiro. Quantos se sentem emperrados, sem avançar, presos por um laço invisível?

O caçador de pássaros, o diabo, tem muitos métodos para capturar almas. Alguns são atraídos por más companhias, outros são seduzidos pela cobiça, pelo egoísmo, pelo prazer momentâneo. A fome pode levar muitos à armadilha, e o medo pode impulsionar outros diretamente para a rede. Pessoas presas por laços de alma (relacionamentos inadequados, intimidade com quem não deveria), laços de compromissos mundanos, laços de ligações escusas ou sociedades malfeitas, acabam perdendo sua liberdade e seu potencial. Muitos quebraram a cara por fazerem pactos com a escuridão, e o inimigo veio reivindicar suas vidas.

Mas a promessa de Isaías 28:18 é clara: “A vossa aliança com o inferno não subsistirá.” O laço do passarinheiro foi quebrado! Todas as cordas que nos prendem, quebrem-se! Todas as correntes, caiam por terra! Todo nó que prende sua vida a uma existência menor, desfaça-se! Seja ele de aço, de pedra, de fibra, o laço foi quebrado! Deus nos chama para as alturas. O céu é nosso; o infinito nos pertence. Os horizontes azuis são nossa morada. Somos livres para viver o sonho que Deus tem para nossa vida.

A alma cativa, como um pássaro do laço dos passarinheiros, é liberta. “Escapamos como um pássaro da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos livres.” João Wyclif, em sua tradução, enfatizava: “Senhores, quebrou-se o laço!” Com toda a nossa alma, podemos proclamar: “Quebrou-se o laço!” Todas as cordas que nos prendem, todos os nós que limitam nossa existência, toda a amarra que impede nosso voo – foram quebradas em nome de Jesus!

O Socorro do Criador – Uma Glória Perpétua

O Salmo 124 culmina em um brado de louvor e reconhecimento. As nações buscavam ajuda em suas supostas divindades, mas Israel cria no Criador, o mesmo Deus que fez o céu e a terra, e que os ajudou a chegar até aqui. Ele é o mesmo que os levará adiante amanhã. Ele é o Criador do universo, dos quasares, das supernovas. Ele é quem vai curar seu corpo, redimir sua alma, completar a boa obra que começou. Ele é quem vai quebrar os laços que o inimigo armar e quem vai trabalhar por você que Dele espera.

Como Spurgeon disse, se Ele criou tudo o que vemos, não pode nos preservar dos males que não podemos ver? E Ele está fazendo isso continuamente. Ele nos livrou de tantas coisas, e continuará a nos livrar, a nos proteger e a nos guardar. Se Deus não fosse conosco, não teríamos qualquer possibilidade de escapar dos perigos ocultos da vida, nem poderíamos enfrentar inimigos que parecem invencíveis. As metáforas de monstros que engolem vivos, águas de inundações e dilúvios, e feras que trituram, ilustram a magnitude do perigo.

Mas a versão da Passion nos lembra: “Pois o mesmo Deus que fez todas as coisas, nosso Criador e nosso poderoso Senhor, Ele mesmo é o nosso Ajudador e Defensor.” Quantos estão felizes por ter um Deus assim? O Criador do universo, Ele é seu Pai, seu Deus, seu Ajudador, seu Protetor, seu Senhor.

O Salmo termina como começa, com uma declaração de confiança e ação de graças: “O nosso socorro está em o nome do Senhor, criador do céu e da terra.” Esta estrofe final era cantada por todos os peregrinos. Em meio à falsa confiança do mundo, que confia em carros ou cavalos, nosso socorro está em um nome que transcende toda força criada. Nenhum braço humano, nenhuma força terrena pode nos salvar do dilúvio crescente que acomete esta nação. Mas o nosso socorro está no nome do Senhor nosso Deus, e Ele agirá por essa nação. Existe uma solução vinda do céu, uma resposta para o Brasil.

Levantemos os olhos e declaremos com fé inabalável, como no Salmo 91: “Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei a salvo; porque ele conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei. Com longevidade o satisfarei e lhe mostrarei a minha salvação.”

O nosso socorro está em o nome do Senhor, criador do céu e da terra. Amém.

Acesse a pregação completa no link abaixo!

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