Minhas percepções acerca do filme Glass

Eu assisti esta semana o filme Vidro (Glass). Se você deseja assisti-lo, quero deixar você avisado de duas coisas: primeiro, que você não precisa se apressar para entrar na sala. Foram quase 20 minutos de trailers. É claro que isso não tem nada a ver com o filme, mas com a política da empresa que o exibe, e certamente está acontecendo a mesma coisa com as outras exibições. Não pagamos ingresso para ver tanta propaganda. O segundo aviso pode ser considerado um spoiler.

O ritmo de Glass é do tipo do pregador que demora uma hora para dizer o que deseja e se arrasta sem conseguir, mas nos últimos cinco minutos consegue passar uma mensagem. Confesso que quase saí da sala de cinema antes de terminar o filme. Escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, Glass faz parte de uma trilogia que inclui (Unbreakable — 2000) e (Split — 2016). Shyamalan uniu as duas tramas, mas o recorte não pareceu bom. No primeiro filme, que trouxe o título em português “Corpo Fechado”, Bruce Willys é David Dunn, um vigilante, uma espécie de super-herói que sai pelas noites salvando pessoas e punindo homens maus. O vilão da história é o Sr. Vidro, interpretado por Samuel L. Jackson.

Com um corpo frágil, mas uma mente inteligente, o Sr. Vidro é um engenheiro social do tipo Saul Alesnki. Ele não sente culpa de jogar com a vida das pessoas como se fossem objetos descartáveis. Já o segundo filme da série que foi sucesso de bilheteria, e no Brasil teve o título de “Fragmentado”, o destaque foi o ator James MacAvoy que interpreta de momento a momento a troca das diversas personalidades de Kevin Wendell Crumb. Traumatizado pelos abusos e espancamentos da sua mãe que o torturava com o ferro de passar roupa quente, Kevin desenvolveu 23 personalidades e por fim encarna a identidade sobre-humana de um monstro que “devora” suas vítimas. James MacAvoy continua sendo destaque em Glass e merece um prêmio por sua atuação. Não pela Fera, mas por sua atuação nas outras personalidades de Kevin.

Já Bruce Willis aparece em Glass, meio apagado, com aquele olhar do tipo charmoso, como se estivesse sempre posando para uma fotografia. No fim do filme, que é sua melhor parte, e a propósito o fim do filme “quase nunca chega” (alerta para spoiler) a mensagem é que existem humanos com superpoderes, mas há pessoas interessadas em esconder isso do mundo. Na verdade, todos nós temos “dons especiais” que se desenvolvem por meio de nosso chamado, mas que em outros casos, por conta de traumas complexos e dores vividas vemos nascer a alma do vilão.

Um dos vilões, no filme, é o Sr. Vidro, alguém que acredita poder manipular tudo para chegar aos seus objetivos e Kevin que usou sua energia para construir 24 personalidades a fim de fugir da sua dor, e que se apresenta como o defensor dos perturbados. Em uma cena, o homem Vidro diz a ele: você encontrou o seu propósito, defender os quebrados. Assim a Fera é a sua apoteose. Sua incorporação tem o fim de julgar os impuros ou os infiéis. Você conhece esse discurso?

Hoje de igual modo, temos hoje os que acreditam ser justiceiros contra aqueles que se sentem bem ou não sentem dor. Eles se autoproclamam defensores dos quebrados e perturbados da sociedade. Esses bandidos da vida real se acham no direito de se vingar de todas as pessoas bem-sucedidas. Eles desejam punir as pessoas felizes. Esta é a mentalidade do esquerdopata, do engenheiro social e do invejoso. Afinal de contas, a miséria deseja companhia. Nesse caso, sua transformação na Fera não é vista aos olhos, mas está em curso, acontecendo em tempo real no recôndito da alma.