O Pacto de Siquém: o lugar onde três gerações escolheram a quem servir

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais […]; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

Josué 24:15 (ACF)

Existe um lugar em Canaã onde a história da aliança começa, é purificada e se cumpre, sempre debaixo do mesmo carvalho. Nesse lugar, três gerações diferentes, em três momentos diferentes, precisaram responder à mesma pergunta: a quem vocês vão servir?

Esse lugar é Siquém. É ali que a Escola da Conquista, série de ensino do Bispo JB Carvalho sobre o livro de Josué, chega à sua sétima e última campanha. As seis primeiras campanhas da série são de natureza militar: conquistar terra, cidade por cidade. A sétima não conquista território nenhum. Ela conquista o coração. E o inimigo, dessa vez, não tem nome de povo cananeu. É o próprio ego, com todos os seus ídolos. A posse da terra precisava vir acompanhada da entrega do coração. Israel já havia conquistado a geografia física. Faltava a geografia interior ser ocupada por Deus, em obediência.

Josué 23: o aviso antes do pacto

A mensagem começa no capítulo 23 de Josué, lido por completo. Josué, já velho e adiantado em dias, reúne os anciãos, os cabeças, os juízes e os oficiais de Israel e recorda que foi o próprio Senhor quem pelejou pelo povo até ali. Ele adverte, com força, que o povo precisa se esforçar para guardar tudo o que está escrito na lei de Moisés, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, sem se misturar com as nações que restaram na terra, sem sequer mencionar o nome dos deuses estrangeiros. E ele lembra algo que vai se repetir ao longo de toda a mensagem: nenhuma promessa de Deus falhou. “Vós bem sabeis de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, que nenhuma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou o Senhor vosso Deus. Todas vos sobrevieram, nenhuma delas falhou.” Mas Josué também avisa o reverso: assim como todas as bênçãos prometidas se cumpriram, também se cumprirão todas as ameaças, caso o povo viole a aliança e sirva a outros deuses.

Josué 24: a linha do tempo antes da escolha

No capítulo 24, Josué reúne todas as tribos de Israel em Siquém, com os anciãos, os cabeças, os juízes e os oficiais apresentados diante de Deus. E ali ele faz algo que estrutura toda a mensagem: recapitula, ponto a ponto, a trajetória inteira do povo, desde antes de Abraão. Ele conta que Tera, pai de Abraão, vivia além do rio Eufrates e servia a outros deuses. Que Deus tomou Abraão e o fez percorrer Canaã, multiplicou sua descendência, deu a ele Isaque, e a Isaque deu Jacó e Esaú. Que Jacó e seus filhos desceram ao Egito, onde Deus enviou Moisés e Arão, feriu o Egito e tirou o povo de lá. Que os egípcios perseguiram o povo até o Mar Vermelho, e o Senhor abriu caminho pelas águas. Que o povo habitou no deserto por muito tempo, entrou na terra dos amorreus além do Jordão, resistiu a Balaque, rei de Moabe, que contratou o profeta Balaão para os amaldiçoar, mas Deus não permitiu. E que, ao atravessar o Jordão, os habitantes de Jericó pelejaram contra o povo, junto com os amorreus, os fereseus, os cananeus, os heteus, os girgaseus e os jebuseus. Deus enviou vespões adiante do povo, que expulsaram os inimigos, não pela espada nem pelo arco de Israel. “Dei-vos a terra em que não trabalhastes e cidades que não edificastes, e habitais nelas. Comeis das vinhas e dos olivais que não plantastes.”

Essa recapitulação inteira é o palco. A escola da conquista não termina em um mapa. Ela termina em um pacto.

Siquém, o carvalho de Moré: onde tudo começa

Por que Siquém? Porque Siquém é o lugar onde a história da aliança começa. Quase quatro mil anos antes daquele momento, Abraão atravessa a terra até Siquém, até o carvalho de Moré. Os cananeus habitavam aquela terra. E é ali, exatamente ali, que Deus aparece a ele pela primeira vez com uma promessa concreta.

“À tua descendência darei esta terra.”

Gênesis 12:7 (ACF)

Abraão constrói um altar naquele lugar, o primeiro altar dele em Canaã. Ele havia acabado de sair da sua terra e da sua parentela. Naquele momento não havia nação nenhuma, nenhum exército, nenhuma posse. Havia um homem, uma família e uma promessa. Séculos depois, exatamente no mesmo lugar, Josué está reunido com toda a nação de Israel já instalada na terra. Deus prometeu a terra a um peregrino que não possuía sequer um palmo de chão. Quase cinco séculos depois, os descendentes desse peregrino, já distribuídos entre as tribos, se reúnem no mesmo ponto geográfico para renovar a aliança que o patriarca havia firmado.

Siquém, os ídolos enterrados: onde a promessa é purificada

Cerca de cento e noventa anos depois de Abraão, ainda no mesmo lugar, o neto dele, Jacó, está prestes a subir a Betel, para a casa de Deus. Antes de partir, ele reúne toda a sua família e dá uma ordem.

“Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.”

Gênesis 35:2 (ACF)

Jacó enterra os ídolos estrangeiros debaixo do carvalho de Siquém, junto com as argolas que os idólatras usavam nas orelhas. E o texto de Gênesis registra, logo depois, um detalhe decisivo: o terror de Deus (em hebraico, pachad Elohim, um pavor sobrenatural) caiu sobre as cidades ao redor, e ninguém perseguiu a família de Jacó. A proteção sobrenatural chegou depois que os ídolos foram enterrados, não antes. É a mesma lógica espiritual que vai reaparecer, séculos depois, quando os vespões abrem caminho para Israel dentro de Canaã: primeiro a purificação, depois a cobertura.

Siquém, a pedra da aliança: onde a promessa se cumpre

Passam-se mais trezentos anos. Josué, já velho, reúne toda a nação no mesmo lugar exato e diz ao povo a mesma coisa que Jacó havia dito à sua própria família.

“Deitai, pois, agora, fora aos deuses estranhos que há no meio de vós, e inclinai o vosso coração ao Senhor Deus de Israel.”

Josué 24:23 (ACF)

O que era promessa no tempo de Abraão tornou-se testemunho no tempo de Josué. Josué escreve as palavras da aliança no livro da lei de Deus, toma uma grande pedra e a ergue ali, debaixo do carvalho, em lugar santo do Senhor, como testemunha contra o próprio povo, para o caso de um dia negarem o que prometeram. Essa mesma pedra, segundo o ensino, foi encontrada por arqueólogos há cerca de cem anos, em 1926, e está quebrada ao meio, um sinal visível de que a aliança também foi quebrada ao longo da história.

No Egito, o povo trabalhava para construir cidades que nunca seria dono. Em Canaã, habita cidades que não construiu. Na escravidão, produzia sem ter herança nenhuma. Na aliança com Deus, recebe herança sem produzir nada. “Dei-vos a terra em que não trabalhastes, cidades que não edificastes, come vinhas, dos olivais que não plantastes.” Tudo o que era futuro na boca de Moisés (quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra, disse ele, dará cidades que não edificaste, casas cheias de tudo o que é bom, poços que não abriste, vinhas e olivais que não plantaste) tornou-se passado cumprido na boca de Josué. Nenhuma promessa falhou.

As sete nações de Canaã: um retrato do coração

Antes de chegar a Siquém, a Escola da Conquista passou pelas sete nações listadas em Josué 24 uma a uma. No ensino, cada nome carrega uma raiz hebraica, um significado e, a partir daí, um retrato de uma batalha interior, um inimigo que não usa espada nenhuma.

Os amorreus: a rebelião que nasce do medo ferido

Na etimologia da palavra, os amorreus habitavam regiões montanhosas (o nome está ligado a altura, montanha, elevação) e adoravam o deus da lua, Sim, e Amor, daí o sentido de amargo, rebelde, arrogante. A rebelião, no ensino, tem uma origem clara: ela nasce quando o medo é enfrentado da forma errada. Alguém sofre abuso, injustiça, humilhação, opressão por muito tempo, vivendo acuado e controlado, até que um dia decide que não vai depender de mais ninguém, não vai se submeter a mais nada, que nunca mais alguém terá autoridade sobre ele. Essa pessoa não está rejeitando apenas quem a oprimiu. Está rejeitando o próprio conceito de autoridade, inclusive a autoridade de Deus. Trocou uma prisão por outra: saiu do cárcere do medo para entrar no calabouço da rebelião.

O antídoto contra a rebelião não é a submissão forçada. É a confiança. Israel só saiu do Egito porque deixou de temer Faraó e passou a confiar em Deus, e Josué não vence Canaã por ser mais forte que os amorreus. Ele vence porque Deus repete continuamente: não tenha medo, porque o medo produz escravos. A revolta produz rebeldes, mas a confiança produz filhos. O escravo se curva diante do poder porque tem medo. O rebelde combate todo poder, é um revolucionário. O filho reconhece a autoridade legítima porque sabe que está seguro no amor do pai. O apóstolo Paulo escreve que ninguém recebeu o espírito de escravidão, para viver atemorizado, mas um espírito de adoção, que clama “Aba, Pai”. O oposto da escravidão, no evangelho, não é independência. É filiação. É por isso que as revoluções humanas apenas trocam um tirano por outro, enquanto o evangelho transforma o coração para que ele não precise viver nem como escravo nem como rebelde.

Os fereseus: uma vida sem muros

Fereseu significa povoado aberto, aldeia sem muralhas, assentamento exposto, um lugar sem proteção. Se os amorreus representam orgulho e rebelião, os fereseus representam a ausência de limites: uma vida sem cercas morais, emocionais ou relacionais, onde tudo é permitido e nada é filtrado. O comentarista bíblico Matthew Henry chegou a dizer que, se o povo de Israel tolerasse aquela cultura, a guerra deixaria de ser militar e se tornaria uma guerra de influência: o povo santo se misturaria com gente que relativizaria os princípios pelos quais o próprio povo deveria viver.

Os fereseus não eram conhecidos por gigantes, fortalezas ou exércitos, mas por habitarem campos e vilas abertas, uma cultura que apregoa um estilo de vida livre demais, sem cerca, sem guarda, sem proteção. E muros, no ensino, significam maturidade. Neemias reconstrói os muros de Jerusalém, e com eles restaura identidade, governo, segurança e separação: os muros antigos impediam a entrada do inimigo e evitavam a saída daquilo que era precioso. Sem muro, entra qualquer coisa e sai qualquer coisa. A Bíblia pede que se guarde o coração mais do que qualquer outra coisa, porque dele procedem as fontes da vida, e a palavra usada para “guardar” tem o sentido de sentinela, de estar na torre de vigia, mantendo uma posição.

Os cananeus: quando tudo vira mercadoria

Cananeu é a cultura da mercantilização: tudo vira mercadoria, inclusive relacionamento, aliança e adoração. Comércio, em si, não é problema algum. Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Salomão e José negociavam. A questão não é negociar. É quando tudo se torna negociável, inclusive a verdade, a moral, a fé, a família, a sexualidade e a justiça. A religião cananeia era uma religião da prosperidade econômica: Baal era o deus da chuva, Astarote era a deusa da fertilidade, e a adoração estava conectada diretamente à prosperidade agrícola. Era uma religião conveniente: prosperidade sem santidade, fertilidade sem aliança, prazer sem obediência, riqueza sem arrependimento.

Originalmente, cananeu significava apenas o habitante de Canaã. Com o tempo, a palavra passou a significar mercador, e o profeta Oséias faz uma acusação moral pesada contra o próprio Israel usando exatamente essa palavra: “Efraim, mercador, tem nas mãos balança enganosa, e ama a opressão.” Deus chama Israel de cananeu porque o povo havia adotado práticas comerciais injustas. Segundo o ensino, o historiador alemão Gerald Herm, em seu livro sobre os fenícios, registra os cananeus como comerciantes que falsificavam produtos e praticavam tráfico de pessoas. E o profeta Zacarias declara que virá um dia em que já não haverá mais cananeu, mercador, na casa do Senhor. Não é contra prosperidade ou dinheiro. É contra o espólio, a ganância, a avidez de enriquecer a qualquer custo, porque o ganho nunca vale mais do que a integridade da alma.

Os heteus: o espírito da intimidação

Os heteus, ou hititas, foram um império poderoso da antiguidade, os primeiros a desenvolver a tecnologia do ferro, e resistiram a um dos maiores impérios da época em um empate técnico na batalha de Cades contra Ramsés, uma das batalhas mais documentadas da antiguidade. A palavra heteu carrega o sentido de terror, derivada de uma raiz relacionada ao medo e ao desânimo: ser quebrado pelo medo, perder a coragem, ser intimidado. Qualquer coisa que intimida alguém passa a controlar essa pessoa. A Bíblia lembra que ninguém recebeu espírito de temor ou de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. Os dons de alguém não fluem enquanto essa pessoa permanece intimidada.

O ensino observa que, ao longo de toda a jornada de Josué, Deus precisa renovar sua coragem repetidas vezes: no capítulo 1, antes de começar; no capítulo 8, depois de um fracasso; no capítulo 10, antes de uma grande batalha e depois de uma grande vitória; no capítulo 11, diante do maior desafio. A coragem bíblica não é uma dose única recebida no início do caminho. Ela precisa ser renovada em cada etapa. E a promessa de Deus nunca foi a ausência de gigantes ou de batalhas, mas a certeza de que Ele estará presente em cada uma delas.

Os girgaseus: a corrupção que apodrece por dentro

Girgar significa barro, argila, solo úmido, terra pantanosa. Girgaseu é, literalmente, o povo que anda com os pés na lama. Eles representam a corrupção moral, a degradação espiritual, a contaminação lenta do coração. A corrupção não age como rebelião aberta. Ela destrói por deterioração, como metal que enferruja ou madeira que apodrece por dentro, silenciosamente, até que a estrutura já esteja comprometida. No ensino, os girgaseus são comparados a cupins: eles não derrubam muralhas, eles as apodrecem por dentro. Segundo o índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional, citado na mensagem, o Brasil tinha, na época, 34 pontos numa escala de 0 a 100, ocupando a posição 107 entre 180 nações avaliadas. Mas a obstinação de Deus é pela justiça, e o profeta Miqueias resume o que Ele pede de cada pessoa: praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com o seu Deus.

Os heveus: a mentalidade de aldeia

Heveu significa habitante de aldeia, uma cultura de pertencimento possessivo que dificulta o surgimento de uma identidade que vá além do que o grupo espera de alguém. O exemplo bíblico mais forte, no ensino, é Nazaré: os conterrâneos de Jesus não conseguiam enxergá-lo além de “o carpinteiro”, o menino da vila, o filho de José. “Um profeta não tem honra na sua própria terra.” Antes de curar o cego de Betsaida, Jesus o tira da aldeia primeiro, aplica saliva em seus olhos, impõe as mãos, e só depois de restabelecida a visão manda o homem para casa, recomendando que não entre de volta na aldeia. Primeiro Jesus muda o ambiente do homem. Só depois muda a sua visão. Existe uma forma saudável de pertencimento, mas existe também um pertencimento possessivo, onde as pessoas acreditam ter direito sobre o destino de outra pessoa, e crescer é interpretado como traição. Uma igreja não pode virar uma aldeia. Uma igreja precisa ser uma plataforma de lançamento, onde as pessoas crescem, são desafiadas e têm um teto alto para alcançar.

Os jebuseus: o desprezo de quem já foi desprezado

Os jebuseus habitavam Jerusalém quando a cidade ainda se chamava Jebus, até serem expulsos por Davi. A raiz da palavra tem o sentido de pisar, calcar, tratar com desdém, e jebuseu significa terra pisada, povo pisoteado, rejeição. Antes da conquista de Jerusalém, os jebuseus debocharam de Davi, dizendo que até os cegos e os coxos bastariam para detê-lo. O desprezo, no ensino, é a linguagem de quem já foi ferido: quem foi pisado muitas vezes aprende a pisar os outros, e quem ridiculariza está tentando se blindar. Davi já conhecia bem essa linguagem. Ele havia sido rejeitado por Mical, por Saul, pelo próprio pai, pelos irmãos, pelos filisteus e, por fim, pelos próprios homens em Ziclague. Ele se formou, no sentido figurado, em rejeição, e respondeu conquistando exatamente a cidade que zombou dele: a fortaleza de Sião se tornou a cidade de Davi. O homem rejeitado usou o que foi feito contra ele como plataforma para uma conquista que dura milênios.

Segundo o filósofo e psicólogo William James, citado na mensagem, a necessidade mais profunda do ser humano é ser apreciado. E é dentro da família que a maioria das pessoas aprende, pela primeira vez, o que é ser aceito ou rejeitado.

Os vespões: o terror que abre caminho

Deus prometeu mais de uma vez, tanto em Êxodo 23 quanto em Deuteronômio 7, que enviaria vespões adiante de Israel: um terror sobrenatural que amolecia o coração dos povos de Canaã antes mesmo da batalha começar. O cântico de Moisés e Miriã já registrava que os príncipes de Edom e os poderosos de Moabe tremiam, e que o espanto e o pavor caíam sobre todos os habitantes de Canaã antes da chegada do povo. A prostituta Raabe confirma isso aos espias, dizendo que todos os moradores da terra já estavam desmaiados de medo. A mesma expressão hebraica usada em Gênesis 35, quando o terror de Deus caiu sobre as cidades ao redor de Jacó depois que ele enterrou os ídolos em Siquém, reaparece aqui: pachad Elohim, o terror de Deus. A lição do ensino é direta: a vitória sobre o inimigo está ligada à pureza da aliança. Quando os ídolos saem, o terror de Deus entra a favor do povo, não contra ele.

Uma herança que ninguém construiu

Um dos pontos mais marcantes da mensagem é a ideia de herança pronta. Israel entra em cidades fortificadas que não edificou, em terras férteis, em casas cheias de coisas boas, em cisternas já cavadas, em vinhas e olivais que não plantou (e uma oliveira madura leva décadas para produzir fruto, tanto que uma oliveira grande é caríssima). O livro de Neemias reconta essa mesma história em oração: o povo tomou posse da terra, comeu, se fartou, engordou e viveu em delícias, pela grande bondade de Deus. E o mesmo princípio, segundo o ensino, aparece na parábola dos trabalhadores contada por Jesus: “Eu vos enviei a colher o que não trabalhastes. Outros trabalharam, e vós entrastes no trabalho deles.” A herança sempre nasce da fidelidade de Deus, nunca da força própria, e é por isso que Moisés já havia advertido o povo, antes mesmo de entrar na terra, para nunca dizer no coração que a própria força e o poder das próprias mãos produziram aquela riqueza.

Os ídolos que ainda restam depois da conquista

O detalhe mais surpreendente do texto, segundo o ensino, é que mesmo depois de conquistar toda a terra, o povo ainda guardava ídolos estrangeiros escondidos dentro de casa. Escavações arqueológicas confirmam isso: pequenas divindades domésticas, guardadas como um seguro espiritual extra. A Bíblia registra Raquel roubando os terafins do pai, Labão, e Mical, filha de Saul e esposa de Davi, mantendo um ídolo doméstico dentro do próprio palácio real.

Um ídolo, nesse sentido, não é uma estátua num pedestal. É qualquer coisa que ocupa o trono das prioridades de alguém. O teólogo Tim Keller define assim: um ídolo é qualquer coisa mais importante para uma pessoa do que Deus, qualquer coisa que absorva o coração e a imaginação mais do que Ele, qualquer coisa da qual alguém espera receber o que só Deus pode dar. Jesus só nomeou explicitamente um deus rival: Mamom. “Não podeis servir a Deus e às riquezas.” Às vezes a confiança se desloca para a segurança financeira, para a carreira, para o patrimônio, esquecendo que a confiança última pertence só ao Senhor. Em outros momentos, o ídolo é uma ideologia colocada acima da própria Bíblia, quando uma causa política ou cultural ocupa o lugar da autoridade das Escrituras, e a pessoa passa a interpretar a Bíblia pela ideologia, em vez de interpretar a ideologia pela Bíblia. Até coisas boas (família, filhos, casamento) podem se tornar ídolos quando ocupam o lugar que pertence só a Deus. O ensino cita o exemplo histórico do imperador Constantino, que adorava a Cristo ao mesmo tempo em que continuava fazendo celebrações ao deus Apolo e a uma deusa da fertilidade: mantinha o ídolo antigo como uma “garantia extra”. Mas o texto de Josué 24 é claro: o Senhor, Deus de Israel, é o único Senhor. Ou Ele é o único, ou Ele não é ninguém.

Escolhei hoje a quem servireis

Depois de recontar toda essa história (Abraão, Jacó, o Egito, o deserto, a travessia, a conquista das sete nações), Josué não termina com um resumo. Ele termina com uma escolha.

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”

Josué 24:15 (ACF)

O povo responde: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servirmos a outros deuses.” Josué, de forma surpreendente, avisa que eles não vão conseguir sozinhos, que Deus é santo e zeloso e não perdoará a transgressão caso o povo o abandone. Ainda assim, o povo insiste três vezes ao longo do diálogo: “Não, antes serviremos ao Senhor.” Josué declara que eles próprios são testemunhas contra si mesmos daquela escolha, escreve as palavras no livro da lei de Deus e ergue a pedra da aliança debaixo do carvalho.

A pergunta que Josué fez a Israel em Siquém é a mesma que qualquer pessoa precisa responder hoje depois de qualquer conquista, depois de prosperar, de casar, de crescer: quem você vai servir agora? A bênção chegou. E agora?

O convite

Jacó enterrou os ídolos estrangeiros debaixo do carvalho de Moré, em Siquém, antes de seguir viagem. Cavou um buraco e pôs lá dentro tudo que a família ainda guardava dos deuses estranhos. A pergunta que Siquém faz para cada geração é a mesma que ele fez para a própria família naquele dia. O que precisa ser enterrado antes de seguir viagem?

Escolhei hoje a quem servireis.

Assista à mensagem completa “O Pacto de Siquem”, com o Bispo JB Carvalho, logo abaixo, e ouça também no podcast, no link no início deste post.

Fonte: mensagem “O Pacto de Siquem – A 7ª Campanha de Conquista é pelo coração de Israel”, Bispo JB Carvalho, https://www.youtube.com/watch?v=kuDZ9BmtddM